segunda-feira, 25 de junho de 2007

Crianças com necessidades Especiais


Quando uma criança nasce com algum diagnóstico diferencial seja este enquadrado dentro de alguma Síndrome ou lesão neurológica, entre outros, torna-se fundamental que os pais, o mais cedo possível, procurem profissionais capacitados em desenvolver um trabalho de Estimulação logo nos primeiros anos de vida desse filho.
Um trabalho que tem como objetivo estimular através da intervenção de um único profissional – o estimulador precoce - diferentes áreas do desenvolvimento que dizem respeito às funções motoras, sensoriais à fala, às atividades da vida diária e suas relações com o meio. Enfim, oferecer a esta criança possibilidades de organizar suas funções estruturais e simbólicas.

Texto de Maria Marta Borba Orofino – Mestre em Ciências Sociais da PUC/RS
Extraído do jornal “SOLIDARIEDADE” de 15/01/06 p.05

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Meu olhar para o outro!!!

Meu olhar para o outro !

Certa manhã andando pela rua onde moro, percebi que um vizinho havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral, tornando-se deficiente físico e com outras seqüelas, que eu não sabia, pois na correria do dia a dia, não dei importância, não era da minha área sou professora, e pensava até então que não poderia oferecer nenhum tipo de ajuda para melhorar seu quadro.
Os dias foram passando e ele ficava sempre em sua casa, pois quando passava, eu mal conseguia vê-lo pelo vidro da janela. Aquela situação foi me despertando curiosidade, mas eu achava que ele não dava importância, pois já havia passado dois anos do ocorrido, acho que sua estima estava baixa. Mas certo dia eu tive uma bela surpresa, pois seu XW, aos poucos foi renascendo para a vida, em sua cadeira de rodas, ele ficava na área de sua casa observando o movimento da cidade, mas poucos lhe davam atenção merecida.
Um dia para minha surpresa e alegria seu XW estava espiando por trás do muro de sua casa, quando as pessoas passavam, levantava a cabeça, ele podia ser visto da calçada, mas apenas seu boné e seu rosto, o corpo ficava escondido.
O tempo passou e Ele já ia até a esquina, mais alegre, também ia para beira da lagoa, observava tudo e todos, mas todos estavam muito ocupados, andavam depressa, como eu, muitos compromissos...
Impossibilitado de falar não conseguia dizer bom dia, e mesmo que acenasse, as pessoas não demonstravam nenhum interesse em parar. Para falar o quê?
E o tempo passou, seu XW foi para a outra esquina, para assim ter contato com as pessoas ...
Com muita dificuldade, lutando contra os desafios, pois as calçadas não têm acessibilidade, mas ele não desiste vai vencendo os obstáculos, porque o desejo de viver é maior. Um dia desses estava, passeando com meu neto, de apenas 07 meses e ELE estava lá, parei e apresentei meu neto a ele e disse que também se chamava João.
Falei algumas palavras, mas engasguei de emoção e tive que conter as lágrimas, pois o momento era único, os dois João não se expressaram pela fala, pois meu neto tem 07 meses e iniciava um balbucio apenas e outro com 60 anos que tinha perdido a fala com o AVC.
Que lindo momento, Ele segurou a mão de João Pedro e por um longo tempo, trocaram afeto, carinho, sorriam um para o outro, numa linguagem que só conhecem e sentem as pessoas evoluídas. Isto está acima de qualquer especialização, isto é Escola da Vida.
É tão simples só depende de nós, mas é necessária uma ação que com certeza, são as pessoas apaixonadas pela causa e tocadas, pelo coração e ricos pelo amor.
Hoje, quando passo de carro ou a pé, seu XW sorri e acena com o polegar, feliz!
Acredito que a sensação e o prazer de felicidade que seu XW me proporciona seja o mesmo que proporcionamos a ele, alegria e prazer, conquistando a auto-estima e sentindo –se cidadão novamente.
Mas repenso a todo o momento as atitudes que são tomadas em relação a estas pessoas, tão especiais e que os fazem diferentes, nossa cidade está cheia de Joãos e você já parou para pensar ou teve um momento de lucidez em seu dia para “eles”, não espere, eles esperam de você, algo para melhorar sua qualidade de vida, e ser feliz.
Nós devemos estar atentos para estas histórias que a vida nos apronta. Uma lição de vida!
Eu aprendi muito com seu XW e tenho muito a aprender, não espere, vá em busca em seu meio, inicie por você dando exemplo, na sua casa, na sua rua, em seu bairro, mas faça algo diferente!



Cloreci A de Matos Santos
Professora APAE de Torres

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007




O MOVIMENTO APAEANO E A APAE DE TORRES

Há 50 anos se delineavam os caminhos do Movimento das APAEs que, desde a fundação da 1ª APAE – APAE do Rio de Janeiro, não parou de crescer e hoje se consolida como o maior Movimento Filantrópico do nosso país e do mundo em sua área de atuação, além do respeito e credibilidade conquistados ao longo do tempo e dos novos rumos à vida de milhares de pessoas com deficiências.

Com a APAE nascia a vocação para apoiar as famílias e seus filhos com deficiências, um legado que contribuiu para o desenvolvimento da Educação Especial no Brasil e para a criação de leis e políticas públicas reconhecendo e garantindo seus direitos de cidadãos.
As Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais fazem parte de um Movimento que se destaca no país pelo seu pioneirismo. A primeira APAE no Brasil nasceu em 11 de dezembro de 1954, na cidade do Rio de Janeiro. De 1954 a 1962, surgiram outras APAEs. No final de 1962, doze das dezesseis existentes, encontraram-se, em São Paulo, para a realização da primeira reunião nacional de dirigentes apaeanos.
Pela primeira vez no Brasil, discutia-se a questão da pessoa com deficiência com um grupo de famílias que trazia para o Movimento suas experiências como pais de deficientes e, em alguns casos, também como técnicos na área.

Para uma melhor articulação de suas idéias, sentiram a necessidade de criar um organismo nacional. Após algumas sugestões criou-se a Federação Nacional das APAEs que foi fundada em 10 de novembro de 1962, atualmente com sede em Brasília/DF.
Adotou-se, como símbolo das APAEs, a figura de uma flor ladeada por duas mãos em perfil, desniveladas uma em posição de amparo e a outra, de proteção (Anexo A). Existe inclusive um pensamento muito adotado que diz o seguinte: "Onde você encontrar estas mãos, estenda as suas".
Decorridos 50 anos, a Federação Nacional das APAEs congrega, aproximadamente 2000 APAEs presentes em municípios de todo o Brasil, mantenedoras de Escolas Especiais que propiciam atendimento educacional a mais de 230.000 pessoas com deficiência mental; 21 Federações das APAEs dos Estados; 202 Conselhos Regionais e 07 Coordenadorias em níveis nacional e estadual.
A APAE de Torres (Anexo A), bem como, as demais APAEs do território nacional, seguem a seguinte estrutura hierárquica descrita no organograma abaixo:

Federação Nacional das APAEs
Responsável pelos rumos e diretrizes estratégicas do Movimento Apaeano e pela articulação política, defesa de direitos e ações, em âmbito nacional, em prol da Pessoa com Deficiência.

Responsável pelos rumos e diretrizes estratégicas do Movimento Apaeano e pela articulação política, defesa de direitos e ações, em âmbito estadual, em prol da Pessoa com Deficiência.
Federação das APAEs Estado

Tem a função de organizar as APAEs nas micro-regiões, orientando seus rumos e sendo o contato mais direto entre a base e a Federação do Estado.
Conselho Regional
APAE


Prestadora de serviços e atendimentos diretos, articulação e defesa de direitos da Pessoa com Deficiência nos Municípios.


A APAE de Torres, a exemplo da Federação Nacional e demais APAEs do Brasil, caracteriza-se por ser uma sociedade civil, filantrópica, de caráter cultural, assistencial e educacional com duração indeterminada. A unidade de Torres foi fundada em 17 de dezembro de 1977 através da iniciativa do LIONS Clube de Torres e amigos com o objetivo de criar e manter uma escola para atender pessoas portadoras de deficiências, visando promover a educação, reabilitação, profissionalização e integração social.

Em 1980, a Prefeitura de Torres fez a doação de um terreno com 2.070m2 onde foi construído o prédio que seria a sede da Escola, mantida pela APAE.
Nestes 28 anos de trajetória a APAE de Torres passou por diversas reformas, sempre com auxílio do Governo Federal e Estadual, através de projetos específicos e da comunidade torrense em geral.

Atualmente, no mesmo terreno doado pela Prefeitura, a APAE possui uma estrutura física de 1.377m2 de área construída, onde oferece atendimento a 255 pessoas portadoras de deficiências na faixa etária de 0 a 46 anos de idade.
A APAE é mantenedora da Escola de Educação Especial Recanto Alegre que objetiva viabilizar a formação do educando com deficiência mental, proporcionando-lhe a superação de suas dificuldades específicas relacionadas ao desenvolvimento global e contemplar o processo educacional como parte fundamental para a conquista da cidadania por meio de uma prática pedagógica que minimize a diversidade e propicie a inclusão do educando através do alcance da autonomia intelectual, moral e social.

Os atendimentos especializados oferecidos pela APAE de Torres às pessoas com deficiências vão desde a Avaliação Diagnóstica realizada por Psicopedagoga e Equipe Multidisciplinar até o efetivo atendimento nas áreas Escolar (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos, Grupos de Convivência, Oficinas Profissionalizantes de Jardinagem e Montagem de Prendedores) e Clínica (Estimulação Precoce – bebês de 0 a 4 anos de idade – Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Equoterapia, Atendimento Psicológico, Médico, Fonoaudiológico, Assistência Social, bem como, Atendimento Individualizado de Ludoterapia e Apoio Especializado Complementar).